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Carta dos Povos pela Saúde
Carta dos Povos pela Saúde
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INTRODUÇÃO
Saúde é uma questão social, econômica, política e, acima de tudo,
um direito humano fundamental. Desigualdades, pobreza, exploração,
violência e injustiça encontram-se entre as causas das doenças e morte
dos pobres e marginalizados. Proporcionar condições de saúde para todos
implica desafiar interesses poderosos, resistir à globalização e mudar
drasticamente as prioridades políticas e econômicas.
Esta Carta baseia-se nas perspectivas de pessoas cujas vozes raramente
são ouvidas, se é que são ouvidas. Ele estimula as pessoas a
desenvolverem suas próprias soluções, forçando autoridades locais,
governos nacionais, organizações internacionais e empresas a assumirem a
responsabilidade.
VISÃO
Eqüidade, desenvolvimento sustentável do ponto de vista ecológico e
paz estão no âmago de nossa visão de um mundo melhor; mundo onde vida
saudável para todos é uma realidade; mundo que respeita, dá valor e
celebra todas as formas de vida e a sua diversidade; mundo onde os
talentos e habilidades individuais florescem e se enriquecem mutuamente;
onde as vozes do povo guiam as decisões que moldam nossas vidas.
Os recursos para atingirmos essa visão são mais que suficientes.
A CRISE DA SAÚDE
“Doenças e mortes acontecendo diariamente nos enchem de raiva. Não
porque as pessoas ficam doentes ou morrem. Temos raiva porque muitas
dessas doenças e mortes têm sua origem nas políticas econômicas e
sociais que nos são impostas;”
(Uma voz da América Central)
Nas últimas décadas, mudanças econômicas ocorridas no mundo inteiro
têm afetado profundamente a saúde das pessoas e seu acesso à
assistência médica e outros serviços sociais.
Apesar de termos alcançado níveis de riqueza jamais vistos, a fome e
a pobreza não param de crescer. O abismo entre nações ricas e pobres
aumentou, assim como aumentaram as desigualdades entre as classes sociais,
entre homens e mulheres, entre jovens e velhos.
Grande parte da população mundial ainda não tem acesso a alimentos,
educação, serviços de água e esgoto, abrigo, terras e seus recursos,
emprego e assistência médica. A discriminação continua a prevalecer, o
que afeta tanto a ocorrência de doenças quanto o acesso à assistência
médica.
Os recursos naturais do planeta estão sendo devastados em ritmo
alarmante. A degradação do meio ambiente ameaça a saúde de todos,
especialmente a dos mais carentes. Novos conflitos surgem a toda hora e
armas de destruição em massa continuam a apresentar grave ameaça.
Os recursos mundiais estão cada vez mais concentrados nas mãos de uns
poucos que empenham-se em maximizar seus lucros. Medidas econômicas e
políticas neoliberais são adotadas por um pequeno grupo de nações
poderosas e instituições internacionais, tais como Banco Mundial, Fundo
Monetário Internacional e Organização Mundial de Comércio. Essas
políticas, juntamente com as atividades não regulamentadas de empresas
transnacionais, têm afetado seriamente a vida, meios de vida, saúde e
bem-estar das populações, tanto no Hemisfério Norte como no Hemisfério
Sul.
Os serviços públicos não suprem as necessidades do povo devido a sua
deterioração, causada, em grande parte, por cortes nos orçamentos
governamentais destinados aos serviços sociais. Os serviços de saúde
tornaram-se menos acessíveis, sendo distribuídos desigualmente e de
forma inadequada.
A privatização ameaça prejudicar ainda mais o acesso à assistência
médica e comprometer o princípio fundamental da eqüidade. A
perseverança de moléstias que podem ser evitadas, o reaparecimento de
tais doenças como tuberculose e malária, e o surgimento e disseminação
de novas enfermidades são forte indício da falta de comprometimento do
mundo atual com os princípios de eqüidade e justiça.

PRINCÍPIOS QUE NORTEIAM A CARTA DOS POVOS PELA SAÚDE
-
Atingir o mais alto nível de saúde e bem-estar possível é um
direito humano fundamental, independente de cor, etnia,
religião, sexo, idade, aptidões, tendências sexuais e classe social.
-
Os princípios de Atenção Primária, universal e
abrangente,
previstos em 1978 na Declaração de Alma Ata, devem servir de base para
a formulação de políticas relativas à saúde. Agora, mais do que
nunca, é preciso uma abordagem justa, participativa e intersetorial com
relação à saúde e à assistência médica.
-
É responsabilidade fundamental dos governos assegurar acesso
universal à assistência médica, educação e outros serviços sociais
de alta qualidade conforme as necessidades das pessoas e não de acordo
com sua capacidade de pagamento.
-
A participação do povo e de suas organizações é essencial à
formulação, implantação e avaliação de todas as políticas e
programas sociais e de saúde.
-
A saúde é, antes de mais nada, determinada pelos ambientes
político, econômico, social e físico, devendo ser, juntamente com a
eqüidade e o desenvolvimento sustentado, prioridade absoluta no
estabelecimento de políticas locais, nacionais e internacionais.
-
Para combater a crise global de saúde, é necessário agir em todos
os níveis - individual, comunitário, nacional, regional e global; e em
todos os setores. As exigências apresentadas a seguir fornecem uma base
para a ação.
UM CHAMADO PARA A AÇÃO SAÚDE COMO UM DIREITO HUMANO
A saúde é um reflexo do comprometimento de uma sociedade para com a
eqüidade e a justiça. A saúde e os direitos humanos deveriam prevalecer
sobre interesses políticos e econômicos.
Esta Carta é um chamado a todos os povos do mundo para:
-
Darem seu apoio a todos os esforços para implementar o direito à
saúde.
-
Exigirem que governos e organizações internacionais
reformulem,
implementem e façam cumprir as políticas e práticas que respeitem o
direito à saúde.
-
Formarem movimentos com ampla base popular para exercer pressão
sobre os governos, exigindo que incorporem saúde e direitos humanos na
constituição e legislação de cada país.
-
Lutarem contra a exploração das necessidades de saúde do povo para
obter lucro.
ENCARANDO OS GRANDES FATORES QUE DETERMINAM A SAÚDE
Desafios econômicos
A economia exerce grande influência na saúde das pessoas. Políticas
econômicas que dão prioridade à justiça, saúde e bem-estar social
podem melhorar a saúde da população, assim como a própria economia.
Medidas políticas, financeiras, agrícolas e industriais que visam
satisfazer, antes de tudo, as exigências capitalistas impostas por
governos nacionais e organizações internacionais, apartam as pessoas de
suas vidas e seus meios de vida. Os processos de liberalização e
globalização econômica resultaram em maiores desigualdades entre as
nações e dentro delas.
Muitos países, especialmente os mais poderosos, fazem uso de seus
recursos, inclusive por meio de sanções econômicas e intervenções
militares, para consolidar e expandir suas posições, com efeito
devastador sobre as vidas das pessoas.
Esta Carta é um chamado a todos os povos do mundo para:
-
Exigirem a transformação do sistema global de comércio a fim de
que deixe de violar os direitos sociais, ambientais, econômicos e de
saúde do povo e comece a discriminar positivamente a favor dos países
do Hemisfério Sul.
-
Assegurarem que tais mudanças incluam os sistemas de propriedade
intelectual, tais como patentes e o acordo sobre os Aspectos Comerciais
dos Direitos de Propriedade Intelectual (TRIPS), bem como que a
estrutura da Organização Mundial de Comércio (WTO) contenha um
compromisso claro de apoio a todas as medidas que visem a proteção da
saúde pública.
-
Exigirem o cancelamento da dívida do Terceiro Mundo.
-
Exigirem a transformação radical do Banco Mundial e do Fundo
Monetário Internacional para que essas instituições reflitam e
promovam efetivamente os direitos e interesses dos países em
desenvolvimento.
-
Exigirem regulamentação eficaz que assegure que Empresas
Transnacionais (TNCs) não tenham efeito negativo na saúde do povo, que
não explorem seus trabalhadores, que não degradem o meio ambiente e
que não restrinjam a soberania nacional.
-
Assegurarem que os governos implementem programas agrícolas
sintonizados com as necessidades do povo e não com as exigências do
mercado, garantindo, assim, proteção às fontes de alimentação e
acesso imparcial aos alimentos.
-
Exigirem que os governos nacionais atuem de forma a proteger os
direitos da saúde pública nas leis sobre propriedade intelectual.
-
Exigirem o controle e tributação de capitais internacionais
especulativos.
-
Insistirem para que todas as políticas econômicas sejam submetidas
a avaliação do seu impacto sobre a saúde, eqüidade, sexo e meio
ambiente e incluam medidas reguladoras exigindo que sejam respeitadas.
-
Questionarem teorias econômicas centradas no crescimento e
substituí-las por alternativas que criem sociedades humanas e
sustentáveis. As teorias econômicas devem reconhecer restrições do
meio ambiente, a importância fundamental da eqüidade e da saúde, e a
contribuição do trabalho não remunerado, especialmente o não
reconhecido trabalho das mulheres.

Desafios sociais e políticos
Políticas sociais abrangentes têm efeito positivo na vida e nos meios
de vida das pessoas. A globalização econômica e as privatizações
abriram brechas profundas nas comunidades, famílias e culturas. No mundo
inteiro, as mulheres são essenciais à trama social das comunidades, no
entanto, quase sempre, suas necessidades básicas são ignoradas ou até
mesmo negadas, e seus direitos e pessoas violados.
As instituições públicas foram minadas e enfraquecidas Muitas de
suas responsabilidades foram transferidas para o setor privado,
principalmente para empresas ou para outras instituições nacionais e
internacionais que raramente necessitam prestar contas ao povo. Além
disso, o poder dos partidos políticos e sindicatos foi drasticamente
reduzido, enquanto as forças conservadoras e fundamentalistas não param
de crescer. Seria necessário que a democracia participativa florescesse
nas organizações políticas e estruturas civis. Há necessidade urgente
de promover e assegurar transparência e responsabilidade.
Esta Carta é um chamado a todos os povos do mundo para:
Exigirem e
sustentarem o desenvolvimento e implantação de políticas sociais
abrangentes com a participação total do povo.
-
Assegurarem que todas as mulheres e todos os homens tenham direitos
iguais ao trabalho, aos meios de vida, à liberdade de expressão, à
participação política, a praticar sua religião, à educação e a
estar livre da violência.
-
Exercerem pressão sobre os governos para que criem e façam cumprir
leis que protejam e promovam a saúde física, mental e espiritual assim
como os direitos humanos dos grupos marginalizados.
-
Exigirem que educação e saúde sejam colocadas no topo das
prioridades políticas. Isto significa educação de qualidade gratuita
e obrigatória para todas as crianças e adultos, especialmente para
meninas e mulheres, e educação e cuidados de alto padrão para
crianças na primeira infância.
-
Exigirem que as atividades das instituições
públicas, tais como
serviços de assistência à infância, sistemas de distribuição de
alimentos, e sistemas habitacionais beneficiem a saúde dos indivíduos
e das comunidades.
-
Condenarem e procurarem reverter quaisquer medidas, inclusive
ocupação, que resultem no deslocamento forçado de pessoas de suas
terras, lares e empregos.
-
Oporem-se a forças fundamentalistas que ameacem os direitos e
liberdade dos indivíduos, principalmente a vida de mulheres, crianças
e minorias.
-
Oporem-se ao turismo sexual e tráfico global de mulheres e
crianças.
Desafios do meio ambiente
Poluição da água e do ar, rápidas mudanças climáticas,
destruição da camada de ozônio, energia e lixo nucleares, produtos
químicos tóxicos e pesticidas, perda da biodiversidade, devastação de
florestas e erosão do solo têm ampla conseqüência na saúde das
pessoas. A causa primordial dessa destruição inclui a exploração
insustentável dos recursos naturais, ausência de uma visão holística
de longo-prazo, a difusão de comportamentos individualistas que visam a
maximização do lucro, e o excesso de consumo dos ricos. Essa
destruição precisa ser enfrentada e revertida imediatamente e com
eficiência.
Esta carta é um chamado a todos os povos do mundo para:
-
Fazerem com que empresas nacionais e internacionais, instituições
públicas e forças militares prestem contas de suas atividades
destrutivas e perigosas que afetam o meio ambiente e a saúde das
pessoas.
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Exigirem que todos os projetos de desenvolvimento sejam avaliados de
acordo com critérios que respeitam a saúde e o meio ambiente e que se
use cautela e comedimento sempre que políticas e tecnologias possam
apresentar riscos potenciais à saúde e ao meio ambiente (princípio da
precaução).
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Exigirem que os governos comprometam-se com presteza a reduzir mais
os gases que produzem o efeito estufa emitidos em seus territórios do
que estabelecido no acordo internacional sobre mudanças climáticas sem
recorrer a práticas e tecnologias inadequadas ou perigosas.
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Oporem-se à transferência de indústrias nocivas e lixo tóxico e
radiativo para países mais pobres e comunidades marginalizadas e
incentivar soluções que minimizem a produção de resíduos.
-
Reduzirem o excesso de consumo e estilos de vida não sustentáveis
– tanto no Hemisfério Norte como no Sul. Pressionarem países
ricos industrializados para que reduzam em 90% seus níveis de consumo e
poluição.
-
Exigirem medidas que assegurem saúde e segurança no
trabalho,
inclusive monitorando as condições de trabalho com foco no trabalhador.
-
Exigirem medidas que evitem acidentes e ferimentos nos locais de
trabalho, nas comunidades e nos lares.
-
Rejeitarem patentes sobre a vida e oporem-se à bio-pirataria de
conhecimentos e recursos nativos e tradicionais.
-
Desenvolverem indicadores do progresso ambiental e social centrados
no povo e com base na comunidade. Pressionarem pelo desenvolvimento e
adoção de auditorias freqüentes para medir a deterioração do meio
ambiente e o estado de saúde da população.
Guerras, violência e conflitos
Guerras, violências e conflitos devastam as comunidades e destroem a
dignidade humana. Exercem forte impacto sobre a saúde física e mental
das pessoas, especialmente mulheres e crianças. Compram-se cada vez mais
armas e o comércio internacional de armamentos, corrupto e agressivo,
mina a estabilidade social, política e econômica, prejudicando a
alocação de recursos para a esfera social.
Esta Carta é um chamado a todos os povos do mundo para:
-
Darem apoio a campanhas e movimentos em prol da paz e do
desarmamento.
-
Darem apoio a campanhas contra a agressão e contra
pesquisas, produção, testes e uso de armas de destruição em massa e
outras,
inclusive todos os tipos de minas terrestres.
-
Darem apoio às iniciativas populares visando paz justa e
duradoura,
especialmente em países que passaram por guerras civis e genocídio.
-
Condenarem o uso de crianças em combates, assim como o
abuso, estupro, tortura e matança de mulheres e crianças.
-
Oporem-se à militarização das intervenções de socorro
humanitário.
-
Exigirem a mudança radical do Conselho de Segurança das Nações
Unidas para que venha a operar democraticamente.
-
Exigirem que as Nações Unidas e os países individualmente não
façam uso de sanções como instrumento de agressão que possa
prejudicar a saúde das populações civis.
-
Incentivarem iniciativas populares independentes em declarar
bairros,
comunidades e cidades como áreas de paz e zonas sem armamentos.
-
Darem apoio a ações e campanhas que visem a prevenção e redução
de comportamentos agressivos e violentos, principalmente por parte dos
homens, e a promoção da coexistência pacífica.

ÁREA DA SAÚDE CENTRADA NO POVO
Esta Carta prevê o fornecimento de atenção primária abrangente e
universal, sem considerar se a pessoa tem ou não capacidade de pagar. Os
serviços de saúde devem ser democráticos e responsáveis, e contar com
recursos suficientes para tanto.
Esta Carta é um chamado a todos os povos do mundo para:
-
Oporem-se a políticas nacionais e internacionais que visem a
privatização dos sistemas de saúde transformando-os em mercadoria.
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Exigirem que os governos promovam, financiem e providenciem Serviços
de Atenção Primária abrangentes como forma mais eficiente de tratar
problemas de saúde e organizar serviços de saúde pública de modo a
assegurar o acesso gratuito e universal.
-
Exercerem pressão sobre os governos para que estes
adotem, implantem
e executem políticas nacionais de saúde e medicamentos.
-
Exigirem que os governos se oponham à privatização dos serviços
de saúde pública e assegurem que o setor de saúde privada tenha uma
regulamentação eficaz, inclusive os serviços de saúde prestados por
organizações beneficentes e ONGs.
-
Exigirem uma transformação radical da Organização Mundial de
Saúde (OMS) para que esta venha a encarar os desafios do setor da
saúde de forma a beneficiar os pobres, evitar abordagens verticais,
assegurar cooperação entre setores, envolver organizações populares
na Assembléia Mundial de Saúde e assegurar afastamento dos interesses
corporativos.
-
Promoverem, apoiarem e tomarem parte em atos que incentivam o poder e
controle do povo nas tomadas de decisão com relação a assuntos de
saúde em todos os níveis, inclusive direitos de pacientes e
consumidores.
-
Apoiarem, reconhecerem e promoverem sistemas de cura e médicos
tradicionais e holísticos e sua integração no sistema de Atenção
Primária.
-
Exigirem mudanças no treinamento dos profissionais da saúde para
que se concentrem mais nos problemas, compreendam melhor o impacto de
questões globais sobre suas comunidades, trabalhando com elas e
respeitando as suas diversidades.
-
Desmistificarem tecnologias médicas e de saúde (inclusive
medicamentos) e exigirem que se submetam às necessidades de saúde do
povo.
-
Exigirem que as pesquisas no campo da saúde, inclusive pesquisa
genética e o desenvolvimento de medicamentos e tecnologias da
reprodução, sejam conduzidas de modo participativo, com base na
necessidade, por instituições responsáveis. Tais pesquisas devem ser
voltadas para o povo e à saúde pública, respeitando-se os princípios
éticos universais.
-
Darem apoio aos direitos humanos quanto à reprodução e
inclinação sexual, opondo-se a todas as medidas repressivas com
relação a políticas de planejamento populacional e familiar. Tal
apoio inclui o direito a toda a gama de métodos seguros e eficazes de
controle da fertilidade.
PARTICIPAÇÃO DO POVO PARA UM MUNDO SAUDÁVEL
Organizações e movimentos populares fortes têm importância
fundamental nos processos de tomada de decisão democráticos,
transparentes e responsáveis. É imperativo que os direitos civis,
políticos, econômicos, sociais e culturais das pessoas sejam
assegurados.
Se, por um lado, os governos têm a responsabilidade básica de promover
uma abordagem mais justa com relação à saúde e aos direitos humanos,
grupos e movimentos da sociedade civil e meios de comunicação têm um
papel importante em assegurar o poder e o controle do povo no
desenvolvimento de políticas e em monitorar para que estas sejam
efetivamente levadas a cabo.
Esta Carta é um chamado a todos os povos do mundo para:
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Instituirem e fortalecerem organizações do povo para criar uma base
para a análise e a ação.
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Promoverem, apoiarem e dedicarem-se a ações que incentivam o povo a
envolver-se nas tomadas de decisão relativas aos serviços públicos em
todos os níveis.
-
Exigirem que as organizações do povo tenham representação em
fóruns dedicados à saúde.
-
Sustentarem iniciativas locais visando democracia participativa
através do estabelecimento de redes de solidariedade voltadas para povo
em todo o mundo.
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Assembléia de Saúde do Povo e a Carta
A idéia de formar-se uma Assembléia de Saúde do Povo (People’s
Health Assembly-PHA) tem sido discutida por mais de uma década. Em 1988,
várias organizações lançaram o processo que estabeleceu a Assembléia
de Saúde do Povo e começaram a planejar uma grande reunião
internacional que teve lugar em Bangladesh no fim do ano 2000. Deu-se
início a uma série de atividades anteriores e posteriores à Assembléia,
incluindo seminários regionais, compilação de histórias de saúde
junto ao povo e o preparo da minuta da Carta dos Povos pela Saúde.A
presente Carta foi estruturada a partir das perspectivas de cidadãos e
organizações populares de todo o mundo, tendo sido inicialmente aprovada
e submetida a endosso na reunião da Assembléia realizada em Savar,
Bangladesh, em dezembro de 2000. A Carta é uma expressão de nossas
preocupações, nossa visão de um mundo melhor e mais saudável, e nossa
convocação para uma ação radical. É uma ferramenta para advogar e um
ponto de referência através do qual um momento global de saúde pode ser
alcançado e no qual novas redes e coalizões podem formar-se.
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Junte-se a nós
Endosse a Carta Chamamos as pessoas e organizações a
tomarem parte nesse movimento global e as convidamos a endossar e auxiliar
na implantação da Carta dos Povos pela Saúde.Secretaria do PHM, e-mail:
secretariat@phmovement.org
web site: www.phmovement.org
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